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Suspeito de aplicar golpes inspirados no filme ‘O Lobo de Wall Street’ tem prisão revogada após ser extraditado ao Brasil

Fonte:https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/05/08/suspeito-de-aplicar-golpes-inspirados-no-filme-lobo-de-wall-street-tem-prisao-revogada-apos-ser-extraditado-ao-brasil.ghtml

Eduardo Omeltech Rodrigues, de 29 anos, foi preso em março do ano passado em Portugal durante operação da Polícia Civil do Distrito Federal com apoio da Interpol. Ele responderá ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.

O brasileiro Eduardo Omeltech Rodrigues, de 29 anos, que foi extraditado de Portugal ao Brasil por ser suspeito de aplicar golpes oferecendo falsos investimentos, teve a prisão preventiva revogada e responderá ao processo em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica. 

A informação foi confirmada pela defesa dele ao g1 nesta quarta-feira (8).

Eduardo, que era de São Paulo e estava morando em Portugal, foi preso em março de 2023 em Lisboa durante operação da Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio da Interpol. 

Na época, a polícia informou que as investigações apontaram que o paulistano fazia parte de uma uma organização criminosa internacional responsável por golpes financeiros em brasileiros e que causou prejuízo de pelo menos R$ 16 milhões (entenda abaixo).

De acordo com a investigação, os criminosos se inspiraram no filme “O Lobo de Wall Street“, que trata sobre um ambicioso corretor da bolsa de valores. À época, na 1ª etapa da operação, seis pessoas foram presas. Na 2ª fase, mais duas pessoas foram presas. 

Conforme a decisão do juiz federal da 10º Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite, Eduardo teve a prisão preventiva revogada mediante medidas cautelares, entre elas monitoramento eletrônico, proibição de manter contato com os demais réus e com testemunhas e se ausentar de onde reside com autorização judicial.

Em nota, o advogado de defesa afirmou que pedirá a retirada da tornozeleira eletrônica e buscará pela absolvição de Eduardo Omeltech Rodrigues. 

“Embora tenha sido aplicada o uso de tornozeleira eletrônica, já impetrei habeas corpus no Tribunal Regional Federal para revogar essa medida cautelar desnecessária, abusiva e ilegal, aguardando-se decisão liminar e julgamento no mérito”, afirmou Eduardo Maurício, advogado criminalista. 

O que diz a defesa

“Finalmente foi feita justiça e a prisão preventiva do meu cliente foi revogada e ele pode responder o processo em liberdade. 

Embora tenha sido aplicada o uso de tornozeleira eletrônica, já impetrei Habeas Corpus no Tribunal Regional Federal para revogar essa medida cautelar desnecessária, abusiva e ilegal, aguardando-se decisão liminar e julgamento no mérito.

Agora seguiremos a defesa de Eduardo Omeltech no mérito do processo e na ação penal, buscando a sua absolvição diante da inexistência de crime e pela sua inocência, sendo certo que meu cliente não foi denunciado pelo Ministério Público Federal como incurso no crime de estelionato (ou seja, não praticou golpes de m prejuízo alheio).

Diferente dos outros corréus, estando cristalino nos autos que Eduardo Omeltech foi vítima de suposição, dedução, suposta persrguição, e Fishing expedition (pesca probatória) por parte do delegado de Polícia Civil Dr. Erick Sallum (cujo inclusive foi declarado incompetente pela investigação policial), já que o meu cliente era apenas um prestador de serviço (com contrato formal celebrado), cujo foi usado em um contexto criminoso (praticado e arquitetado por terceiros) e nunca teve conhecimento de qualquer ilicitude até a deflagração da Operação Lobo de Wall Street.”

Investigação

De acordo com as investigações da 9ª Delegacia de Polícia, no Lago Norte, brasileiros que viviam em Portugal — em sua maioria, que viviam ilegalmente no país — eram empregados em call centers, que faziam ligações para pessoas no Brasil. Às vítimas eram oferecidos investimentos em ações inexistentes. 

Os criminosos usavam empresas de fachadas e sites bem montados, que davam a impressão de serem empresas reais. 

No entanto, os investimentos feitos pelas vítimas iam direto para as contas dos suspeitos. Pelo menos, 945 vítimas foram identificadas até março do ano passado (veja detalhes abaixo). 

Entre as empresas falsas, estavam Paxton Trade, Ipromarkets, Ventus Inc, Glastrox, Fgmarkets, 555 Markets, ZetaTraders. Aos brasileiros, os investigados diziam que o montante tinha sido perdido na bolsa de valores. 

De acordo com a Polícia Civil, apesar das prisões em Portugal, o grupo atuava ainda em Praga (República Tcheca), Tel Aviv (Israel), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Londres (Inglaterra) e Madrid (Espanha). Os outros escritórios fazem vítimas em outros países, como México e Chile. 

Esquema

De acordo com as investigações, um homem de nacionalidade tcheca abriu uma empresa de fachada em Lisboa, que funcionaria, supostamente, como uma empresa de publicidade. No entanto, o suspeito realizava a venda de falsos investimentos por meio de empresas fantasmas de corretagem. 

A Polícia Civil afirma que David Suckoup era o chefe da quadrilha. Durante a operação, ele tentou fugir para Portugal, mas foi preso na Alemanha, onde aguarda extradição. 

A Polícia Civil afirma que ele empregava centenas de brasileiros que, sem opção de emprego, aceitavam participar do esquema. A contratação de brasileiros ocorria porque o suspeito precisava de pessoas que falassem português fluente para assediar vítimas, exclusivamente, do Brasil. 

Os investigadores apontam que os investigados acreditavam que as autoridades brasileiras teriam maior dificuldade de desarticular o esquema do que polícias de países como Estados Unidos e de Portugal. 

Para enganar as vítimas, os suspeitos usavam mecanismos que mascaravam os números internacionais e simulavam ligações com o DDD do Distrito Federal. Dessa forma, segundo as investigações, conseguiam com que as vítimas atendessem as ligações. 

Vítimas

Os brasileiros contratados pela empresa de fachada usavam diversos argumentos para convencer as vítimas de fazerem aplicações que gerariam altas rentabilidades. No entanto, elas perdiam tudo e eram aconselhadas a fazer novos investimentos para recuperar os valores. 

Em seguida, quando as vítimas já tinham perdido grandes quantias, os suspeitos cortavam o contato telefônico. A Polícia Civil identificou, pelo menos, 945 pessoas que caíram no golpe. Algumas delas chegaram a perder R$ 1,5 milhão

Incentivo aos golpes

Durante as investigações, foi constatado que havia premiações para os melhores “vendedores” e ostentação de riqueza. Em grupos de WhatsApp, os “gerentes” incentivavam que os demais envolvidos assistissem o filme “O Lobo de Wall Street”, protagonizado pelo ator Leonardo DiCaprio. 

No longa metragem, os personagens participam de um esquema para enriquecer rapidamente. Além disso, o lema na empresa era “Pensem em vocês e em suas famílias, esqueçam as vítimas”. 

Eduardo Mauricio


Advogado no Brasil, em Portugal, na Hungria e na Espanha. Doutorando em Direito – Estado de Derecho y Governanza Global (Justiça, sistema penal y criminologia), pela Universidad D Salamanca – Espanha. Mestre em direito – ciências jurídico criminais, pela Universidade de Coimbra/Portugal. Pós-graduado pela Católica – Faculdade de Direito – Escola de Lisboa em Ciências Jurídicas. Pós-graduado em Direito penal econômico europeu; em Direito das Contraordenações e; em Direito Penal e Compliance, todas pela Universidade de Coimbra/Portugal. Pós-graduado pela PUC-RS em Direito Penal e Criminologia. Pós-graduando pela EBRADI em Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Academy Brasil –em formação para intermediários de futebol. Mentor em Habeas Corpus. Presidente da Comissão Estadual de Direito Penal Internacional da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas (Abracrim).

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