{"id":6741,"date":"2025-12-31T19:11:12","date_gmt":"2025-12-31T19:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/?p=6741"},"modified":"2026-01-08T19:13:48","modified_gmt":"2026-01-08T19:13:48","slug":"supremo-recusa-extradicao-de-suspeito-de-trafico-para-a-costa-do-marfim-e-ordena-a-sua-libertacao-imediata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/2025\/12\/31\/supremo-recusa-extradicao-de-suspeito-de-trafico-para-a-costa-do-marfim-e-ordena-a-sua-libertacao-imediata\/","title":{"rendered":"Supremo recusa extradi\u00e7\u00e3o de suspeito de tr\u00e1fico para a Costa do Marfim e ordena a sua liberta\u00e7\u00e3o imediata"},"content":{"rendered":"\n<p>Espanhol de 30 anos estava preso h\u00e1 cinco meses e foi libertado porque Supremo Tribunal de Justi\u00e7a n\u00e3o acredita nas garantias da Costa do Marfim de que n\u00e3o ser\u00e1 condenado a mais de 25 anos de pris\u00e3o nem torturado<\/p>\n\n\n\n<p>Uma semana antes do Natal, a conselheira Maria da Gra\u00e7a Santos Silva finalizou um ac\u00f3rd\u00e3o que funcionou como uma carta de liberta\u00e7\u00e3o para Jon Alemany, um espanhol de 30 anos suspeito de pertencer \u00e0 c\u00fapula de uma rede de tr\u00e1fico de droga internacional que operava a partir de San Pedro, cidade portu\u00e1ria da Costa do Marfim.<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza do Supremo recusou a extradi\u00e7\u00e3o deste homem&nbsp;de 30 anos argumentando que as autoridades costa-marfinenses n\u00e3o deram garantias convincentes de que o arguido n\u00e3o seria condenado a mais de 25 anos de pris\u00e3o, o m\u00e1ximo permitido pela lei portuguesa. Al\u00e9m disso, a magistrada considera que tendo em conta os relat\u00f3rios das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a utiliza\u00e7\u00e3o generalizada de tortura naquele pa\u00eds africano, tamb\u00e9m n\u00e3o foram dadas garantias suficientes de que Alemany n\u00e3o seria alvo de maus tratos na cadeia onde iria aguardar julgamento e cumprir uma eventual pena de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00e9 contr\u00e1ria ao entendimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico portugu\u00eas&nbsp;para quem seria &#8220;for\u00e7oso concluir pela sufici\u00eancia das garantias prestadas pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e dos Direitos Humanos da&nbsp;Costa do Marfim&#8221;.&nbsp;A Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa tamb\u00e9m&nbsp;<a href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/2025-11-10-supremo-contraria-relacao-e-trava-extradicao-de-alegado-traficante-para-a-costa-do-marfim-d7ba974a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">decidiu&nbsp;<\/a>em sentido contr\u00e1rio&nbsp;e tinha autorizado a extradi\u00e7\u00e3o do suspeito argumentando que&nbsp;&#8220;ao Estado requerido cabe apenas verificar da exist\u00eancia dos requisitos legalmente exigidos e n\u00e3o pronunciar-se sobre eventuais fragilidades pontuais do sistema prisional dos pa\u00edses requerentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Alemany foi libertado no dia 19 de dezembro e n\u00e3o tem qualquer medida de coa\u00e7\u00e3o que o impe\u00e7a de viajar para onde quiser. Segundo o advogado que o defende, Eduardo Maur\u00edcio, &#8220;j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 alvo de qualquer mandado da Interpol&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O espanhol foi detido no Aeroporto de Lisboa no dia 29 de junho de 2025&nbsp;&nbsp;quando esperava um avi\u00e3o de regresso a casa. Estava de passagem em Portugal e nem sequer constava da lista de suspeitos ou de pessoas de interesse para a Pol\u00edcia Judici\u00e1ria. Mas a Interpol emitiu um &#8220;red notice&#8221; com o seu nome e a ordem foi executada discretamente pelos agentes portugueses desta organiza\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro do mesmo ano, um coletivo da Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa autorizava a extradi\u00e7\u00e3o de Jon Alemany para a Costa do Marfim, depois de a pr\u00f3pria ministra da Justi\u00e7a, Rita Alarc\u00e3o J\u00fadice, ter julgado &#8220;admiss\u00edvel o pedido formal de extradi\u00e7\u00e3o&#8221;.&nbsp;Os protestos da defesa foram ignorados pelo desembargador Jo\u00e3o B\u00e1rtolo que acreditou nas garantias das autoridades da Costa do Marfim, &#8220;uma democracia em consolida\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A extradi\u00e7\u00e3o foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/2025-11-10-supremo-contraria-relacao-e-trava-extradicao-de-alegado-traficante-para-a-costa-do-marfim-d7ba974a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">travada&nbsp;<\/a>em novembro pela conselheira Santos Silva que ordenou o regresso do processo \u00e0 Rela\u00e7\u00e3o&nbsp;&#8220;para obten\u00e7\u00e3o das garantias em falta e reaprecia\u00e7\u00e3o do pedido de extradi\u00e7\u00e3o&nbsp;em conson\u00e2ncia com aquelas que forem fornecidas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As autoridades da Costa do Marfim responderam atrav\u00e9s de duas cartas assinadas pelo &#8220;Director da Direc\u00e7\u00e3o&nbsp;de Assuntos C\u00edveis e Criminais&#8221;, Kouame Augustin Yao. Numa das mensagens identifica-se como &#8220;magistrado fora da hierarquia&#8221; e noutra como &#8220;magistrado superior&#8221;. Kouame garante que o arguido n\u00e3o ser\u00e1 condenado a mais de 20 anos de pris\u00e3o, apesar de ser suspeito de traficar duas toneladas de coca\u00edna, crime pun\u00edvel com a pris\u00e3o perp\u00e9tua na Costa do Marfim.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, de acordo com a Costa do Marfim, Alemany, que funcionaria como uma esp\u00e9cie de angariador da organiza\u00e7\u00e3o, era suspeito de um &#8220;delito&#8221; e n\u00e3o &#8220;de um crime&#8221;, o que tornaria imposs\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o a uma pena superior a vinte anos. Este respons\u00e1vel garantiu ainda que Alemany disporia de &#8220;todas as condi\u00e7\u00f5es&#8221; na cadeia onde viesse a cumprir pena e partilharia &#8220;uma cela de 30 metros quadrados com cinco ou seis companheiros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas estas garantias n\u00e3o convenceram o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a: &#8220;A simples enuncia\u00e7\u00e3o de garantias gen\u00e9ricas&#8221; n\u00e3o s\u00e3o &#8220;s\u00e3o suficientes para afastar os riscos&nbsp;detectados&#8221;, argumenta a conselheira que d\u00e1 outro motivo para recusar a extradi\u00e7\u00e3o: a garantia assinada por Kouame Augustin. &#8220;Tratando-se a pessoa em causa&nbsp;de um Director, ainda que com a qualidade de magistrado superior, mas fora da hierarquia, n\u00e3o tem&nbsp;compet\u00eancia para vincular qualquer decis\u00e3o judicial&#8221;. Por isso, conclui a magistrada, &#8220;a falta de garantias concretas&nbsp;\u00e9 um fundamento inultrapass\u00e1vel de recusa da extradi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/2025-12-31-supremo-recusa-extradicao-de-suspeito-de-trafico-para-a-costa-do-marfim-e-ordena-a-sua-libertacao-imediata-72eeddb8\">https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/2025-12-31-supremo-recusa-extradicao-de-suspeito-de-trafico-para-a-costa-do-marfim-e-ordena-a-sua-libertacao-imediata-72eeddb8<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espanhol de 30 anos estava preso h\u00e1 cinco meses e foi libertado porque Supremo Tribunal de Justi\u00e7a n\u00e3o acredita nas garantias da Costa do Marfim de que n\u00e3o ser\u00e1 condenado a mais de 25 anos de pris\u00e3o nem torturado Uma semana antes do Natal, a conselheira Maria da Gra\u00e7a Santos Silva finalizou um ac\u00f3rd\u00e3o que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6742,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_seopress_analysis_target_kw":"","footnotes":""},"categories":[20],"tags":[168,111,89,165,38,79,72,53,62,58,74],"class_list":["post-6741","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-imprensa","tag-advogado24horas","tag-advogadobrasileiroemportugal","tag-extradicao-2","tag-melhoradvogadoemportugal","tag-advogado-criminalista","tag-destaque_hp","tag-direitopenal","tag-eduardomauricio","tag-extradicao","tag-portugal","tag-skyecc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6741"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6743,"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6741\/revisions\/6743"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6742"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}