{"id":6744,"date":"2026-01-03T19:15:44","date_gmt":"2026-01-03T19:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/?p=6744"},"modified":"2026-01-08T19:36:25","modified_gmt":"2026-01-08T19:36:25","slug":"supremo-tribunal-duvida-de-garantias-da-costa-do-marfim-e-liberta-suspeito-de-trafico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduardomauricioadvocacia.com\/index.php\/2026\/01\/03\/supremo-tribunal-duvida-de-garantias-da-costa-do-marfim-e-liberta-suspeito-de-trafico\/","title":{"rendered":"Supremo Tribunal duvida de garantias da Costa do Marfim e liberta suspeito de tr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"\n<p>Os ju\u00edzes portugueses temem que Jon A., de 35 anos e que teve o nome inscrito num falso passaporte diplom\u00e1tico guineense, n\u00e3o tenha um julgamento justo e possa ser condenado a uma pena de pris\u00e3o perp\u00e9tua numa cadeia desumana. O espanhol foi detido no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, no final de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>O JN j\u00e1 tinha contado que passavam cerca de vinte minutos das 20 horas, de 29 de agosto, quando Jon A. aterrou em Lisboa, num voo proveniente da Guin\u00e9-Bissau. O seu nome constava na lista de procurados da Interpol a pedido da Costa de Marfim e o espanhol foi enviado para o Estabelecimento Prisional de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>O mandado de deten\u00e7\u00e3o internacional descrevia-o como o diretor comercial da &#8220;Kibor \u00c1frica&#8221;, empresa sediada na Costa do Marfim, que, garantem as autoridades locais, mais n\u00e3o \u00e9 do que a &#8220;fachada&#8221; para um esquema de tr\u00e1fico de droga. Ali\u00e1s, Jon A. usava, segundo a Pol\u00edcia da Costa do Marfim, um falso passaporte diplom\u00e1tico da Guin\u00e9-Bissau para viajar entre pa\u00edses africanos, com o \u00fanico objetivo de angariar compradores de droga. Est\u00e1, por isso, indiciado por tr\u00e1fico de droga, branqueamento de capitais e associa\u00e7\u00e3o criminosa e as autoridades costa-marfinenses exigem a sua extradi\u00e7\u00e3o para que seja ali julgado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ministra valida<\/h3>\n\n\n\n<p>A ministra da Justi\u00e7a e o Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa entenderam que estavam cumpridas as condi\u00e7\u00f5es para que Jon A. fosse extraditado, mas, ap\u00f3s recurso apresentado pelo espanhol, o STJ teve opini\u00e3o diferente. Num ac\u00f3rd\u00e3o de novembro, os ju\u00edzes conselheiros exigiram \u00e0 Costa do Marfim a &#8220;garantia formal e concreta de que o requerido ser\u00e1 sujeito a um julgamento por tribunais independentes, no \u00e2mbito de um processo justo e equitativo e que ser\u00e1 detido em pris\u00e3o concretamente identificada, onde n\u00e3o corra risco de ser sujeito a tratamentos desumanos, degradantes ou cru\u00e9is&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m solicitaram a promessa jur\u00eddica de que n\u00e3o seria condenado a uma pena superior a 25 anos de cadeia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Diretor responde<\/h3>\n\n\n\n<p>A Costa do Marfim respondeu atrav\u00e9s do diretor de Assuntos C\u00edveis e Criminais, Kouame Augustin Yao, autointitulado &#8220;magistrado fora da hierarquia&#8221; ou &#8220;magistrado superior&#8221;, que alegou que Jon A. poderia ser condenado, no m\u00e1ximo, a uma pena de 20 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo respons\u00e1vel assegurava que a Costa do Marfim comprometia-se a &#8220;n\u00e3o perseguir, n\u00e3o julgar ou deter [Jon A.] por factos que n\u00e3o sejam os que s\u00e3o exclusivamente visados no pedido de extradi\u00e7\u00e3o&#8221; e a &#8220;n\u00e3o instaurar procedimento penal por factos anteriores ou diferentes, salvo na hip\u00f3tese de o Estado requerente (Portugal) vir a dar o seu consentimento escrito a uma amplia\u00e7\u00e3o do objeto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A extradi\u00e7\u00e3o para &#8220;um estado terceiro&#8221; tamb\u00e9m estava fora de hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Faltam garantias<\/h3>\n\n\n\n<p>As promessas do diretor de Assuntos C\u00edveis e Criminais n\u00e3o convenceram o STJ. &#8220;Levanta-se s\u00e9rias d\u00favidas sobre a vincula\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es prestadas, incluindo, claro, a de que o arguido nunca seria condenado em pena superior a 20 anos de pris\u00e3o&#8221;, alegam os ju\u00edzes. Maria da Gra\u00e7a Santos Silva, Ant\u00f3nio Augusto Manso e Margarida Ramos de Almeida sustentam ainda que um simples diretor &#8220;n\u00e3o tem compet\u00eancia para vincular qualquer decis\u00e3o judicial&#8221; e, por outro lado, salientam que &#8220;nada foi referido quanto \u00e0s concretas condi\u00e7\u00f5es de encarceramento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Costa do Marfim, sublinham, limitou-se a &#8220;enunciar princ\u00edpios constitucionais ou legais que n\u00e3o t\u00eam correspond\u00eancia com aquilo que \u00e9 a pr\u00e1tica relatada&#8221; pelo Comit\u00e9 contra a Tortura das Na\u00e7\u00f5es Unidas. &#8220;Em resumo, a falta de garantias concretas, relativas \u00e0 pessoa do requerido vinculativas do Estado requerente \u00e9 um fundamento inultrapass\u00e1vel de recusa da extradi\u00e7\u00e3o&#8221;, escrevem os magistrados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Rea\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Eduardo Maur\u00edcio, advogado Jon A., afirma que &#8220;foi feita justi\u00e7a&#8221;. &#8220;N\u00e3o poderia ser diferente, o STJ tinha de recusar a &#8211; extradi\u00e7\u00e3o de Jon A. para a Costa do Marfim e determinar sua liberta\u00e7\u00e3o imediata&#8221;, justificou. O caus\u00eddico defende que a extradi\u00e7\u00e3o do espanhol violaria a &#8220;lei portuguesa, tratados e conven\u00e7\u00f5es internacionais e europeias&#8221;, nomeadamente as relacionadas com &#8220;quest\u00f5es de direitos humanos e garantias processuais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Interpol extinguiu mandado internacional<\/h3>\n\n\n\n<p>Jon A. n\u00e3o estava na Costa do Marfim quando v\u00e1rios dos elementos do seu alegado cartel foram detidos. Pouco depois dessa opera\u00e7\u00e3o policial de grande envergadura, a Costa do Marfim emitiu um mandado de deten\u00e7\u00e3o internacional com o nome do espanhol e pediu \u00e0 Interpol a difus\u00e3o de uma &#8220;not\u00edcia vermelha&#8221; para todos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com base nesse documento que Jon A. seria apanhado em Lisboa, mas esse mandado internacional foi, entretanto, dado como extinto. O espanhol sempre alegou inoc\u00eancia e, mesmo antes de ser detido em Lisboa, solicitou \u00e0 Interpol que retirasse o seu nome da lista de procurados. No final de novembro do ano passado, com o espanhol ainda encarcerado no Estabelecimento Prisional de Lisboa, o organismo internacional decretou que Jon A. deixava de constar entre os fugitivos por si procurados.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de novembro do ano passado, com o espanhol ainda encarcerado no Estabelecimento Prisional de Lisboa, o organismo internacional decretou que Jon A. deixava de constar entre os fugitivos por si procurados.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/justica\/artigo\/supremo-tribunal-duvida-de-garantias-da-costa-do-marfim-e-liberta-suspeito-de-trafico\/18036352\">https:\/\/www.jn.pt\/justica\/artigo\/supremo-tribunal-duvida-de-garantias-da-costa-do-marfim-e-liberta-suspeito-de-trafico\/18036352<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ju\u00edzes portugueses temem que Jon A., de 35 anos e que teve o nome inscrito num falso passaporte diplom\u00e1tico guineense, n\u00e3o tenha um julgamento justo e possa ser condenado a uma pena de pris\u00e3o perp\u00e9tua numa cadeia desumana. 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