Novo advogado atuará com italiano Pieremilio Sammarco para contestar decisões e tentar impedir extradição.
Novo advogado atuará com italiano Pieremilio Sammarco para contestar decisões e tentar impedir extradição
A ex-deputada federal Carla Zambelli contratou o advogado brasileiro Eduardo Maurício para atuar em sua defesa, em conjunto com o advogado italiano Pieremilio Sammarco, no Brasil e na Itália. A estratégia anunciada pela defesa inclui medidas para contestar as duas condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e atuar no processo de extradição que tramita na Justiça italiana.
Segundo Eduardo Maurício, a defesa prepara revisões criminais para as duas condenações de Zambelli: dez anos pelo caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, e cinco anos e três meses por ter ameaçado e apontado uma arma de fogo para um homem em São Paulo.
O advogado também afirma que pretende atuar, ao lado de Sammarco, no processo de extradição e solicitar a retirada do nome de Zambelli da lista vermelha da Interpol.
A defesa ainda pretende apresentar representações a organismos internacionais, entre eles o Tribunal Penal Internacional e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
“Nosso objetivo é contestar as condenações do Supremo Tribunal Federal, utilizar todos os recursos legais disponíveis e evitar a extradição de Carla Zambelli”, afirma Eduardo.
Em julho, a Corte Suprema de Cassação da Itália anulou outra decisão que autorizava a extradição, determinando que o caso fosse reanalisado. A defesa sustenta que as condenações brasileiras são ilegais e abusivas, alegando perseguição política, afronta à Lei e às quatro linhas da Constituição Federal e desrespeito às garantias processuais por parte do ministro Alexandre de Moraes.
Mauricio afirma que “entregar Zambelli ao Brasil seria o mesmo que sentenciar sua morte.”
29 de outubro de 2022 — Perseguição armada em São Paulo
Na véspera do segundo turno das eleições, Carla Zambelli se envolveu em um episódio no bairro dos Jardins, em São Paulo. A então deputada sacou uma arma e perseguiu um homem pelas ruas. O caso posteriormente resultou em uma condenação pelo STF por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
29 de fevereiro de 2024 — Indiciamento no caso do CNJ
A Polícia Federal indiciou Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Zambelli negou participação nas acusações.
15 de maio de 2025 — Condenação a dez anos de prisão
A Primeira Turma do STF condenou Zambelli a dez anos de prisão pelo caso envolvendo a invasão dos sistemas do CNJ e a falsificação de documentos. A decisão também determinou a perda do mandato e a inelegibilidade pelo período previsto na legislação.
Junho de 2025 — Saída do Brasil
Pouco depois da condenação, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália, país onde também possui cidadania. A saída ocorreu antes do trânsito em julgado da condenação. A defesa passou a atuar para impedir o cumprimento das penas no Brasil.
29 de julho de 2025 — Prisão em Roma
Após ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, Zambelli foi presa em Roma. Ela permaneceu detida no presídio feminino de Rebibbia enquanto a Justiça italiana analisava os pedidos de extradição apresentados pelo Brasil.
Outubro de 2025 — Segunda condenação
O STF confirmou a condenação de Zambelli a cinco anos e três meses de prisão pelo episódio envolvendo a arma em São Paulo. A decisão também determinou a perda do mandato.
Dezembro de 2025 — Renúncia ao mandato
Após uma disputa entre Câmara e STF sobre a perda do mandato, Zambelli renunciou ao cargo de deputada federal em 14 de dezembro.
26 de março de 2026 — Itália autoriza extradição
A Corte de Apelação de Roma autorizou a extradição de Zambelli para o Brasil em um dos processos. A defesa recorreu à Corte Suprema de Cassação.
22 de maio de 2026 — Zambelli é solta
A Corte Suprema de Cassação anulou a decisão relacionada a um dos pedidos de extradição e determinou a soltura da ex-deputada. Zambelli deixou a prisão após cerca de dez meses detida na Itália.
1º de julho de 2026 — Novo revés no processo de extradição
A Corte Suprema de Cassação também anulou a segunda decisão que autorizava a extradição, relacionada ao caso da arma, e determinou que o processo fosse novamente analisado pela Corte de Apelação de Roma.
Setembro de 2026 — Processo segue na Itália
Atualmente, Zambelli permanece na Itália, em liberdade, enquanto a Justiça italiana reanalisa o pedido de extradição. Ela continua condenada no Brasil, mas as decisões sobre seu eventual retorno ao país dependem do andamento dos processos na Itália.







