Investigação revela uso de aeronave de luxo para transportar meia tonelada de cocaína de Roraima para Campinas; dez acusados responderão por organização criminosa
PCC nasceu em 1993
Reprodução/Jornal da Band
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou denúncia contra dez pessoas acusadas de integrar uma sofisticada rede de tráfico interestadual de drogas ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo é investigado por transportar 509,9 kg de cocaína e 2,4 kg de maconha em uma aeronave de fabricação francesa, modelo Dassault Falcon 50, com origem em Roraima e destino ao Aeroclube Campos dos Amarais, em Campinas, no interior paulista.
Entre os denunciados estão João Carlos Camisa Nova Júnior, conhecido como “Don Corleone”, Anderson Silva Sampaio, o “Danone”, e André Roberto da Silva, o “Urso”. Segundo os promotores Renata Rojo Rodrigues, João Augusto de Sanctis Garcia e Fabíola Aparecida Cezarini, da Promotoria Especializada em Organização Criminosa, o trio atuava como articulador e financiador do esquema. A investigação é um desdobramento de operações como Mafiusi e Calvary, que combatem a lavagem de dinheiro da facção.
A estrutura logística e o “Concierge” do PCC
A descoberta da rota aérea ocorreu após a prisão em flagrante de Bruno do Nascimento Souza, em outubro de 2020, em um imóvel na zona sul da capital paulista. O local funcionava como um centro logístico de distribuição, onde foram apreendidos 510 tijolos de cocaína, carregadores de fuzil, bloqueadores de GPS e veículos com compartimentos ocultos. A análise dos celulares de Bruno permitiu à Polícia Civil mapear o uso do jato de prefixo PR-WYW nas operações.
A aeronave utilizada pelo grupo pertence a Willian Barile Agatti, apontado pela Polícia Federal como o “Concierge” do PCC. Agatti é suspeito de ceder aviões para a facção e para a máfia italiana ‘Ndrangheta, mas não foi incluído nesta denúncia específica. Sua defesa afirma que a ausência de seu nome na peça do MP-SP prova sua inocência e falta de conexão com a organização criminosa. Segundo o inquérito, o avião foi locado à empresa de “Don Corleone” para realizar o transporte dos entorpecentes.
Divisão de tarefas e contabilidade do tráfico
O Ministério Público detalhou a existência de núcleos estruturados para garantir o funcionamento do esquema. Além do comando aéreo, havia um núcleo de infraestrutura empresarial, responsável pela gestão das aeronaves, e um núcleo imobiliário, que utilizava documentos falsos para alugar entrepostos de armazenamento. José Wilson Rodrigues Santos Junior foi identificado como o responsável por alugar o imóvel na zona sul onde a droga era guardada.
A contabilidade do grupo era rigorosa. Um caderno apreendido com Bruno do Nascimento Souza registrava a movimentação da droga para compradores identificados por codinomes como “Hulk”, “Zeca” e “Danone”. O relatório aponta que o produto era destinado ao mercado interno paulista, inclusive para a produção de crack. Os pilotos Thiago Almeida Denz e Renan Machado Melo também foram denunciados; segundo as investigações, o comandante recebia cerca de R$ 750 mil por operação, tendo plena ciência da carga ilícita a bordo.
A denúncia agora aguarda a decisão da Justiça para o início da ação penal. O grupo responderá por tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. A investigação continua para identificar outros “laranjas” e imóveis utilizados na lavagem de bens e valores provenientes do mercado de entorpecentes.
Com informações do Estadão Conteúdo
DEFESA DE WILLIAM AGATTI
O criminalista Eduardo Maurício, advogado de defesa de Willian Agatti, afirma que o processo está em segredo de Justiça, mas desde já salienta que, após a defesa protocolar pedido de arquivamento, a cota do Ministério Público foi assertiva em não denunciar Willian Agatti pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Agatti é um empresário de conduta ilibada, e o fato de Willian ser o único que não foi denunciado, mostra a única verdade: que Willian Agatti nunca teve conexão com o PCC, máfia italiana, e a defesa segue confiante que ficará provada a inocência do empresário também na Operação Mafiusi, em que Agatti encontra-se preso preventivamente, de forma ilegal e abusiva, em um processo com inexistência de autoria delitiva, bem como com nulidades de cadeia de custódia e provas manipuladas inválidas de SKY ECC (sistema de comunicação criptografado que era usado por organizações criminosas).






