Prisão de Bolsonaro gera questionamentos sobre fundamentos da decisão de Moraes

Eduardo Mauricio Artigo Revista Oesta Prisão de Bolsonaro gera questionamentos sobre fundamentos da decisão de Moraes

Criminalista contesta critérios usados pelo ministro do STF e aponta fragilidade na justificativa da medida cautelar,

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro provocou reação imediata de especialistas em direito penal. O criminalista Eduardo Maurício avaliou que a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro, na noite anterior à decisão, não configura motivo suficiente para a decretação da medida extrema. Para ele, o ato religioso que resultou em aglomeração diante do condomínio do ex-presidente não atende aos requisitos legais previstos no Código de Processo Penal.

Segundo Maurício, o STF fundamentou a prisão na necessidade de garantir a ordem pública e evitar risco de fuga, mas, na visão dele, esses elementos não se sustentam. Ele argumenta que a simples reunião de apoiadores não caracteriza ameaça concreta capaz de justificar o encarceramento preventivo.

Primeiros questionamentos sobre a prisão

A decisão do ministro Alexandre de Moraes destacou que o Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou, às 0h08 deste sábado, possível violação da tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro. Para o ministro, o rompimento do equipamento, somado à movimentação causada pela vigília, ampliou o risco de evasão. O processo também registra suspeita de que o ex-presidente tentaria se refugiar na Embaixada da Argentina para solicitar asilo político.

Moraes acrescentou que a casa onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar fica a cerca de 13 quilômetros do Setor de Embaixadas Sul. Segundo a decisão, esse percurso consome menos de 15 minutos, o que reforçaria a preocupação com uma tentativa de fuga. O ministro citou ainda viagens recentes de aliados — como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro — como indicativo adicional de risco.

Debate jurídico sobre a medida

Mesmo assim, Maurício pondera que apenas a violação da tornozeleira, caso confirmada, sustentaria a adoção da prisão preventiva. Ele afirma que esse ponto merece verificação rigorosa, já que representa o único fato relevante para justificar a medida cautelar.

A prisão não decorre da condenação por tentativa de golpe de Estado. Trata-se de uma ação preventiva. Bolsonaro foi levado para a sede da Polícia Federal na manhã deste sábado, enquanto apoiadores seguem mobilizados no Distrito Federal.

Fonte: https://revistaoeste.com/politica/prisao-de-bolsonaro-gera-questionamentos-sobre-fundamentos-da-decisao-de-moraes/

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