“Al Capone” foi preso no Brasil por tráfico de medicamentos para emagrecer e quer evitar extradição

Defesa de Paulo Miguel alega que o prazo para o pedido de extradição foi ultrapassado e apresentou um pedido de libertação imediata - habeas corpus - no Supremo Tribunal Federal do Brasil. O “Al Capone de Leiria” foi condenado em Portugal por fraude fiscal e extorsão, mas fugiu para o Brasil para evitar seis anos de prisão
Ilustração editorial simbólica de embalagens de medicamentos sem inscrições numa caixa transparente, com corredor logístico ao fundo.

Por Rui Gustavo — Expresso. Publicado em 07/10/2026 às 08:00.

No princípio, era o “bebé“. Dono de uma empresa de segurança privada em Leiria e era o principal visado da Operação Punho Cerrado, uma investigação da PJ a queixas de empresários da noite alegadamente vítimas de extorsão, coação e ameaças. A alcunha de ”Al Capone” surgiu quando o dono da Lexsegur foi condenado a uma pena de seis anos e meio de prisão num processo de fraude fiscal, branqueamento e abuso de confiança. Tal como o célebre gangster americano, era suspeito de crimes violentos, mas foi condenado por crimes económicos.

Mas ao contrário do Capone americano que foi imediatamente preso depois da sentença, o português fugiu para o Brasil antes de a condenação transitar em julgado e não chegou a cumprir a pena a que tinha sido condenado. Antes da fuga, ainda foi julgado e condenado num segundo processo, mas a pena de três anos por extorsão e ameaças foi suspensa na sua execução. Segundo o Correio da Manhã, depois deste julgamento foi emboscado e agredido com barras de ferro por um grupo rival numa discoteca de Leiria e terá então decidido fugir para escapar à prisão iminente e a novas agressões.

Há sete anos que vivia no Brasil com a mulher e os filhos. Identificava-se com um nome falso e registou os filhos também com nomes falsos. Mas há cerca de quatro meses foi detido numa operação da polícia brasileira contra o tráfico e a venda ilegal de comprimidos para emagrecer. Desde essa data que está preso e foi identificado com o nome verdadeiro que consta num mandado de captura mandado emitir por Portugal e num “red notice” da Interpol.

As autoridades portuguesas pediram a sua extradição para cumprir os seis anos e meio de prisão, mas Eduardo Maurício, o advogado que o representa, apresentou um pedido de habeas corpus no Supremo alegando que o prazo de 60 dias para a emissão do pedido de extradição “foi ultrapassado”. “O Estado requerente não apresentou o pedido formal de extradição dentro dos prazos previstos no Tratado Brasil–Portugal e na Lei de Migração“, alega Maurício no pedido ao STF. ”Ocorre que, até à presente data, decorridos mais de 60 (sessenta) dias da notificação oficial da custódia do Paciente, o Governo Português não formalizou o Pedido de Extradição devidamente instruído pela via diplomática perante o Estado Brasileiro”, conclui a defesa.

Antes de ser extraditado, deverá ser julgado no Brasil pelo caso dos medicamentos. “Esse tipo de processo é muito rápido no Brasil”, explica o advogado. “A questão da extradição vai colocar-se rapidamente.” O grupo de que Paulo fazia parte é suspeito de vender medicamentos de “eficácia não comprovada” nos estados de Santa Catarina e de São Paulo.

Foi detido em julho na posse de vários medicamentos e de uma arma de fogo. Está em prisão preventiva em Florianópolis.

Fonte: Expresso — reportagem original.

Imagem de destaque: ilustração simbólica criada com inteligência artificial.

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