Justiça italiana adia audiência sobre extradição de Zambelli para novembro

Ilustração simbólica de cadeiras vazias numa sala de audiências, com calendário sem inscrições e pasta fechada, em ambiente inspirado em Roma.

Por Janaina Cesar — Colaboração para o UOL, em Roma. Publicado em 27/10/2026, 10h54. Atualizado em 27/10/2026, 12h36.

A Justiça italiana adiou para 24 de novembro a retomada da audiência do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil, relacionado à condenação da ex-deputada pelo episódio em que perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo com uma arma, na véspera do segundo turno da eleição de 2022.

Ela seria retomada hoje, mas a presidente da Primeira Seção Penal da Corte de Apelação de Roma, juíza Cristina Capranica, encerrou a sessão após cerca de 20 minutos e marcou a nova data atendendo a um pedido da defesa.

A finalidade da audiência é analisar se a documentação enviada pelo governo brasileiro sobre as condições de detenção e de assistência médica na penitenciária feminina Colmeia, em Brasília, atende as exigências feitas pela corte. O tribunal havia determinado o esclarecimento de questões relativas às garantias de atendimento médico e ao monitoramento do estado de saúde da ex-deputada.

Durante a breve sessão, o Ministério Público italiano considerou que os documentos encaminhados pelo governo brasileiro respondem às questões levantadas pela corte.O procurador responsável é Erminio Carmelo Amelio, que acompanhou os processos de extradição de Zambelli.

Enrico Giarda, advogado da AGU (Advocacia-Geral da União) que representa o Brasil no processo, também afirmou que os órgãos responsáveis pela administração penitenciária forneceram todas as informações solicitadas, incluindo as garantias diplomáticas adicionais exigidas. Segundo ele, a documentação foi transmitida por via diplomática.

Já Angelo Sammarco, advogado da ex-deputada, informou que havia apresentado novos documentos que, segundo ele, atestam o agravamento do estado de saúde de Zambelli. Antes da audiência, ele havia antecipado à reportagem que solicitaria mais tempo para analisar os documentos brasileiros.

Zambelli não estava presente

Zambelli chegou a declarar que iria à audiência, mas não compareceu. A presença dela não era obrigatória. Piermelio Sammarco, outro de seus advogados, disse que a aconselhou a não comparecer, para evitar “um possível mal-estar”.

A sessão de hoje ocorreria dois dias após o presidente Lula (PT) derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais. Morando em Roma, a ex-deputada bolsonarista foi para Milão no dia do pleito e declarou seu apoio a Flávio.

Além dos irmãos Sammarco, Eduardo Maurício também representa a ex-deputada. Com 34 anos, ele é conhecido por atuar na defesa de acusados de envolvimento com tráfico internacional de drogas como, por exemplo, Sebastian Marset, Armando Pagani, Willian Agati, Major Carvalho, Gabriel Spalone e Leonardo Badalamenti.

Piermelio Sammarco convidou Maurício a se juntar a ele e ao irmão quando soube de uma decisão que negou a transferência da execução de pena de Badalementi.

Além de Capranica, a Primeira Seção Penal é composta por Noemi Coraggio, relatora, e Giovanni Zaccaro, conselheiro.

Entenda o caso

Foragida do Brasil e presa pela justiça italiana em julho de 2025, a ex-deputada passou mais de nove meses na penitenciária feminina de Rebibbia, na região de Roma, aguardando o julgamento dos pedidos de extradição.

O primeiro pedido, relacionado à condenação de Zambelli pela invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), foi autorizado pela Corte de Apelação de Roma em 26 de março de 2026, mas acabou rejeitado pela Corte de Cassação em 22 de maio. O processo, portanto, foi encerrado na Itália.

Já o segundo pedido, relacionado ao episódio da arma, é o que está sendo refeito agora, depois que a Corte de Cassação anulou, em julho, a decisão anterior que havia autorizado a extradição.

Datas importantes:

  • 29 de julho de 2025 – Carla Zambelli é presa em Roma após mandado de captura internacional relacionado a processos criminais no Brasil
  • 22 de maio de 2026 – A Corte de Cassação nega o primeiro pedido de extradição, referente à condenação pelo caso de invasão aos sistemas do CNJ. Na mesma noite, Zambelli é solta
  • 12 de junho de 2026 – A Corte de Cassação pública os motivos da decisão que negou a extradição no caso do CNJ
  • 1º de julho de 2026 – A Corte de Cassação analisa o segundo pedido de extradição, ligado à condenação pelo caso em que Zambelli perseguiu um homem e apontou uma arma contra ele em 2022. O tribunal anulou a autorização de extradição e determinou que o processo voltasse à Corte de Apelação para nova análise

Fonte: UOL — reportagem original.

Imagem de destaque: ilustração simbólica criada com inteligência artificial.

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