Sebastian Marset é líder de organização criminosa e se identificava como Luis Amorim
Por O Globo — Rio de Janeiro
29/05/2025 08h54 Atualizado há 3 dias
O Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei do Departamento de Estado, ligado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, está oferecendo até US$ 2 milhões (cerca de R$ 11,3 milhões) por informações que levem à prisão e/ou condenação de Sebastian Enrique Marset Cabrera, um dos homens mais procurados da América do Sul e que atuava como jogador profissional na Bolívia com um registro falso de atleta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Segundo o Departamento de Justiça, a organização de tráfico de drogas liderada por Marset trafica cocaína para países como Bolívia, Paraguai, Uruguai, Brasil, Bélgica, Holanda e Portugal, entre outros destinos. Procurado pela Interpol e pela DEA (agência antidrogas dos EUA), ele chegou a ser encontrado na Bolívia em julho de 2023, mas conseguiu fugir.
O criminoso vivia uma vida de luxo em Santa Cruz de La Sierra, onde se disfarçava como jogador de futebol. Com suas partidas documentadas em transmissões por redes sociais, que exibiam vídeos de suas atuações, Marset jogava profissionalmente com um documento falso da CBF. Ele alegava ser brasileiro e se chamar Luis Amorim.
Com o número 23 às costas e um bom porte físico, o criminoso de 31 anos não fazia feio nas partidas, como mostram vídeos que estão sendo recuperados, após o informe da polícia sobre seu esconderijo e fuga. Ele atuava pela equipe Los Leones El Torno, que joga em uma liga local de Santa Cruz, uma divisão inferior do futebol boliviano.
Segundo o ministro de Governo da Bolívia, Eduardo Del Castillo, Marset entrou no país em setembro do ano passado e, com muito dinheiro, conseguiu fundar um clube para chamar de seu. Além de meio-campo, ele também era dono e gerente da equipe. Em um vídeo que circula nas redes, o narcotraficante dá até entrevistas antes de uma importante partida.
O que diz a defesa
Ao GLOBO, os advogados de Sebastián Marset negaram a participação do jogador de futebol nos crimes.
“Santiago Moratório e Eduardo Mauricio, advogados de defesa de Sebastián Marset, afirmam que seu cliente nunca praticou nenhum dos crimes que lhe são imputados em nenhum dos países que lhe perseguem com fins alheios. Marset é um empresário de conduta ilibada e bons costumes”, afirmou a dupla em comunicado.
“Marset nunca usou o telefone criptografado SKY ECC e desconhece qualquer mensagem nesse chat, e todos os crimes que lhe são imputados internacionalmente se tratam justamente de chats de conversa no SKY ECC, em que a polícia internacional lhe imputa a autoria de forma indevida, abusiva e ilegal, em um contexto de essa prova digital ser nula de pleno direito, pois fere a cadeia de custódia da prova, já que manipulada e manuseada pela Polícia Europeia que transcreveu supostas conversas à mão em planilha Excel, e atribuiu autorias pelo mundo baseado em suposição/dedução, uma verdadeira aventura jurídica”, complementaram os dois em nota.
Primeira divisão paraguaia
Conhecido como o “traficante das 1000 caras” pela sua habilidade de se esconder com diferentes disfarces, Marset parece gostar de fazer o papel de jogador de futebol. Também foragido em 2021, ele se tornou atleta profissional do Deportivo Capiatá, equipe da primeira divisão do futebol paraguaio, que jogou a Copa Libertadores quatro anos antes.
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O traficante ficou pouco mais de um mês no clube, após um agente prometer em troca uma grande verba de patrocínio, 10 mil dólares que, segundo o clube, nunca foram pagos. Ainda assim, Marset fez seis jogos oficiais pela equipe na elite paraguaia. Cinco meses depois de sumir dos treinamentos sem dar explicação, o “jogador” foi detido com um passaporte falso em Dubai.
Em liberdade novamente, Marset viu sua situação com a polícia piorar desde então. Além de mais provas de sua liderança no tráfico internacional, ele é o principal suspeito de ser o mentor intelectual do assassinato do promotor paraguaio Marcelo Pecci, que tinha atuação destacada contra o crime organizado no país. Pecci foi assassinado quando estava em lua de mel com a esposa, em uma praia na Colômbia. Horas antes do atentado, sua mulher, uma famosa jornalista paraguaia, havia postado que eles estavam esperando seu primeiro filho.
Na investigação liderada pelo promotor, foram realizadas mais de 100 buscas com apreensões de 98 propriedades, 28 veículos, 10 aviões, um helicóptero, 41 tratores, 48 motos, sete barcos e mais de 100 milhões de dólares, a maioria contra a facção de Marset.Mansão em que Marset vivia em Santa Cruz De La Sierra, na Bolívia — Foto: Reprodução
O traficante foi localizado, naquele ano, em uma mansão onde vivia com a esposa e três filhos. Mesmo cercado por mais de 2 mil policiais que o procuravam, conseguiu fugir na manhã da última segunda, e tem paradeiro desconhecido. Ao todo, 12 pessoas foram presas na operação, incluindo dois jogadores de futebol uruguaios, um deles com destacada atuação na primeira divisão da Bolívia.
— Os efetivos policiais estavam realizando uma perseguição em conjunto com equipes de inteligência e um policial foi sequestrado pela organização criminosa, e liberado horas mais tarde — disse o ministro boliviano, que suspeita que o traficante ainda se encontrava em solo boliviano.
Na casa onde ele vivia, foram encontrados 17 fuzis, uma pistola, 1915 munições, quatro coletes à prova de bola, uma moto, 31 veículos, além de algumas chuteiras, bolas e camisas de futebol.






